Engraçado as pistas que a vida te vai dando...
Uma conversa de jantar elevou o tom de conversa um bocado para tom de discussão acerca do quão negra vida de uma pessoas se pode tornar.
Uma das opiniões em cima da mesa impunha se escandalizada pelo facto de alguém se poder manter tão em baixo ao ponto de se magoar... com uma lâmina, trancar se num quarto com uma bilha de gás ou até por o pé no acelerador a beira de um abismo..
A linha entre o suicídio e o seguir em frente no meio do caos é ténue em maior parte dos casos..
Lembrei no meio da discussão que o dono dessa mesma opinião teria se confessado à poucas horas atrás que teria experimentado alguns dias destes negros dias e que estava a bater no fundo.. alguma coisa fê lo vir a tona.. teria ele aguentado? em vez de dias, semanas? Anos? Por que estar em baixo é tal e qual estar na eminência de afogamento.. ou tens uma espécie de boia de salvamento, um porto seguro.. um pilar para poder recuperar o fôlego ou simplesmente deixas de lutar contra a corrente deixas que estas ondas de desespero te arrastem para o mais fundo e negro que há em ti...
Em Shooter Catherine Tramel diz que em toda a história que escreve alguém terá irremediavelmente que morrer senão seus romances não vendem..
mas na vida real o que vende são os Fairy Tells com que toda a gente consegue viver..
Woody Allen no seu filme Macth Point tem uma maneira um pouco sarcástica de contornar esta tendência.. No fim da história há um final feliz para Cloe e a sua família perfeita não tanto para a adorada Nola e para o infeliz para o resto da vida Chris.. Não é um final agradável mas um tanto quanto justo, a Nola foi posto fim a sua miséria no fim da história e Chris o causador de toda a trapalhada viveria numa espécie de purgatório para o fim dos seus dias.. isto aclamando uma certa "sorte".. Chris nesta história evita afogar se e acaba no meio de um lento e desesperante incêncio de sua alma.. cobardia e paz de espírito não são coisas que se consigam vulgarmente consiliar mesmo com finais felizes...
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