25.11.08

DUAS IGUAIS Cíntia Moscovich


EMPOLGANTE

Não tenho grandes hábitos de leitura, para meu próprio desalento, mas dos poucos livros que já li e que me cativaram do início ao fim foi este "Duas Iguais" de Cíntia Moscovich.
Fala de um amor de infância que cresceu de mãos dadas com uma cumplicidade que nos dias de hoje é difícil estabelecer...


Clara fala de Aninha de uma forma intensa e deliciosa que nos faz devorar cada letra no livro ansiando o virar de página, porque simplesmente não podemos esperar para saber o que vai acontecer a seguir, que interpretação vai dar Clara a mais uma pose, atitude, a mais uma afirmação de Ana.


As Duas seguem caminhos diferentes quando adultas, Clara está com Vítor, Ana estuda em Paris, até ao dia em que o telefone toca...

"CLARA: Estou? (Quem, a esta hora da manhã)
ANA:Clarinha? És
tu?
CLARA:(Muda de pânico: as marés montadas do passado, Ana.)
ANA:Sou eu,
Ana.
CLARA:Eu sei. (Tão Cansada, a tua voz. A bênção da tua
voz,Aninha.)
ANA:Clarinha, eu preciso de falar contigo. Estou com
medo.
CLARA:Medo? O que é que se passa? (MEDO?)
ANA:Vou ser
operada.
CLARA:Uma cirurgia? (Diz me que não é verdade.)
ANA: O meu
Cérebro. Eu queria ver te. "

Alucinante, mais uma vez DELICIOSO, e o fim... o fim. . Tão doloroso que nem a própria autora consegue ser precisa.

E há a frase que Clara deixa @s leitor@s :


" O amor exige expressão. Não fica parado, calado, bemcomportado, modesto,
atinado não. O amor deve ecoar em bocas de prece, deve sera nota alta que
estilhaça o cristal e derrama o líquido."

JANETTE WINTERSON

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